Dessa vez não tinha frio na barriga, as mãos não suaram como de costume, nem um aperto no peito daqueles que parecem que o coração vai sair pela boca. Nossos olhares estavam ali paralisados um ao outro, mas tinha algo diferente, eles não se tocaram, tão pouco não diziam algo que se ouvia a muito tempo. Não havia formigamento no peito, nem um outro sentimento específico, dessa vez eu não te odiava, estranho. Não tinha mágoa e nem rancor, por tudo aquilo que já se passou.
Era como olhar uma pessoa comum, atravessando a rua, ou comendo uma coxinha na padaria, aquelas que você olha de relance só pra reparar no penteado, ou na cor do sapato. Não tinha nada de diferente, singelido, mórbido ou um olhar descabido talvez.
Duas pessoas que já se conheceram muito, agora não passam de dois estranhos se olhando por poucos segundos, reparando como estava sendo se encarar e não ter mais nada a dizer. Tanto já foi dito, dessa vez o silêncio falou por si.
Não havia brilho no olhar. Meu coração não acelerou e muito menos quis sair para fora do peito, me senti bem confortada com ele quietinho ali, se comportando pela primeira vez ao te ver, e não demonstrando o que geralmente fazia.
Dessa vez você se foi e não olhou para trás como sempre fazia em suas partidas, me senti mais aliviada, nossas almas não se tocaram como costumavam a fazer e algo me diz que nunca mais se tocaram. Tudo passa, e você passou.
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